EFEITOS COLATERAIS

Terça-feira, Maio 31, 2005

Relógio Biológico
horários do corpo humano

Despertar das 7h às 8h

Quem gosta de acordar tarde já começa o dia em desvantagem. A partir das 6h, o corpo produz um hormônio que faz acordar, o cortisol. Entre 7h e 8h, a taxa de cortisol no corpo atinge a concentração máxima. Essa faixa de horário é ideal para acordar com facilidade e com o pé direito.

Atenção: Voltar a dormir é um erro; por volta das 9h o corpo começa a produzir endorfinas (analgésicos naturais) que encorajam um sono pesado do qual será difícil sair sem dor de cabeça ou mau-humor.

Prazer das 9h às 10h
A hora certa para as folias amorosas, já que a taxa de serotonina (neuro-transmissor ligado ao prazer) está em seu apogeu. O prazer experimentado só será aumentado. Por outro lado, também é a hora de marcar uma consulta ao dentista: as endorfinas, que também estão em alta nesse horário, funcionam como anestésicos naturais.

Trabalho das 10h às 12h
O estado de vigilância atinge o seu pico e a memória de curto prazo (que guarda coisas como um número de telefone que olha na lista, é retido por alguns segundos e esquecido na seqüência) está mais ativa. Depois que as endorfinas presentes entre 9hs e 10hs desaparecem, o organismo atinge a sua velocidade ideal. É o momento certo para refletir, discutir idéias e encontrar inspiração.

Descanso das 13h às 14 h
A moleza que dá depois do almoço não se deve unicamente a digestão, mas também a uma queda de adrenalina que acelera o ritmo cardíaco. Para retomar a disposição, basta uma sesta de 20 minutos.

Movimento das 15h às 16h
A forma física encontra o seu apogeu no meio da tarde, ao mesmo tempo em que a capacidade intelectual diminui. Como não há produção de hormônios específicos nesse horário, os cronobiologistas ainda não encontraram uma explicação para o fato.

Rush das 18h às 19h
À partir das 18h, o organismo fica particularmente vulnerável à poluição e ao monóxido de carbono. Convém então limitar o consumo de cigarros e evitar se possível, os engarrafamentos. Também é nesse horário que a atividade intelectual e o estado de vigilância atingem um novo pico - hora certa de mandar as crianças fazerem a lição de casa, por exemplo.

Pileque das 20h às 21h
Se esse horário costuma coincidir com o aperitivo de antes do jantar é bom saber que é também o momento em que as enzimas do fígado estão menos ativas, o que faz com que se fique bêbado bem mais rápido.

Sono à partir das 20h...
A melatonina (hormônio do sono) invade progressivamente o corpo a partir das 18h. Mas é às 20hs que aparece o primeiro momento ideal para dormir, sucedido por outros iguais a cada duas horas. Para ajudar a cair no sono, fazer amor é uma excelente idéia: o prazer sexual desencadeia a secreção de endorfinas no cérebro, favorecendo o adormecimento.

Regeneração das 21h à 1h
Esta fase do sono é muito importante porque coincide com o pico da produção do hormônio do crescimento, indispensável para a renovação das células e a recuperação física.Esse hormônio permite que os conhecimentos adquiridos na véspera
sejam armazenados no cérebro.


Fonte: Yvan Touitou, Cronobiologista da Faculdade de Medicina Pité-Salpêtrière

Relógio Biológico
horários do corpo humano

O corpo humano tem horários programados biologicamente para atender aos ítens despertar, prazer, trabalho, descanso, movimento, rush, sono e regeneração.

Descubra quais são os melhores horários para você atender a essas exigências, acessando o Efeitos Colaterais
.

31 de Maio
dia de se apagar essa idéia

As doenças que o fumo traz:
Infarto do miocárdio, Angina pectoris, Hipertensão, Arterosclerose, Acidente vascular cerebral, Tromboangeite obliterante, Bronquite crônica,
Enfisema pulmonar, Gripe, Pneumonia por Legionella pneumophila, Pneumonia por Branhamella catarrhalis, Pneumonia a colesterol, Otite, Tuberculose, Câncer do pulmão, Câncer da boca, Câncer da faringe, Amigdalite, Sinusite, Morte súbita infantil, Sindactilia, Aborto, Catarata,
Estrabismo, Lábio leporino, Prenhez tubária, Descolamento precoce da placenta, Placenta prévia, Diabetes, Periodontite, Câncer da laringe, Câncer do esôfago, Câncer do estômago, Câncer do pâncreas, Câncer da bexiga, Câncer do rim, Leucemia mielóide, Câncer do colo do útero, Câncer de mama, Doença de Crohn (Mycobacteria paratuberculosis), Úlcera do estômago, Úlcera do duodeno, Osteoartrite, Osteoporose, Estomatite, Bronquite, Pneumonia, Câncer da pleura (associado com asbesto), Aneurisma da aorta, Aneurisma abdominal, Câncer da próstata, Câncer do intestino, Câncer do reto, Limfoma, Menopausa precoce, Derrame suboracnóide na mulher com associação de anovulatórios


Sábado, Maio 28, 2005

Viagra pode causar cegueira

O governo norte-americano já constatou mais de 40 casos de perda de visão em homens que tomaram medicamentos contra a impotência, como o Viagra, e vai fazer uma investigação mais profunda para descobrir se existe uma relação entre as duas coisas.
O anúncio foi feito ontem pela FDA (agência do governo dos EUA que fiscaliza remédios e alimentos), que no entanto disse que não é possível afirmar que há uma relação de causa e efeito entre a cegueira e o uso dos medicamentos.
Houve 38 casos em pacientes que usavam o Viagra, mais quatro que tomavam o Cialis, outra droga contra impotência, e um do Levitra.
Os casos já levaram a Pfizer, fabricante do Viagra, a discutir com a FDA mudanças nas embalagens e rótulos dos medicamentos para alertar sobre possíveis efeitos colaterais na visão. A Eli Lilly, do Cialis, fez a mudança há poucos dias. A GlaxoSmithKline, que produz o Levitra, não se manifestou até o fechamento desta edição, mas a empresa será contatada pela FDA.
As empresas disseram, no entanto, que não há nenhuma prova de relação entre seus remédios e os problemas de visão (leia texto ao lado).
O problema pode provocar perda temporária ou permanente da visão em alguns casos. Chamado Naion (neuropatia óptica isquêmica anterior não-arterítica, na sigla em inglês), ocorre quando há interrupção do fluxo de sangue para a porção anterior do nervo óptico.
Em 2002, um estudo já havia relatado casos de cinco homens de 42 a 69 anos que tomavam Viagra e desenvolveram o problema, mas na época a Pfizer disse que seu medicamento era seguro. Segundo a companhia, a maior fabricante de remédios no mundo, o problema poderia ter surgido devido a outras circunstâncias que também causam Naion.
Público alvo

Essa é uma das dificuldades para comprovar que o problema foi de fato causado pelo medicamento, porque esse tipo de cegueira é comum em homens com mais de 50 anos e que têm diabetes, doenças do coração, pressão alta ou colesterol alto. E esses são justamente alguns dos problemas que também podem levar à disfunção erétil e, logo, ao uso de Viagra ou outro remédio do gênero.
Há muito tempo, a bula do Viagra já alerta para efeitos colaterais como "visão borrada ou muita sensibilidade à luz", mas os casos de cegueira são novidade -23 milhões já tomaram o Viagra.


Fonte: FSP


Sábado, Maio 14, 2005

Masturbar-se é bom

Esta noticia hará felices a muchos y hasta habra algunos que se sentirán más tranquilos con su conciencia. ¿Masturbarse es oficialmente bueno¿.

Lejos quedarse ciego o que le crezcan pelos en las palmas de sus manos o que le de acné, según estudios científicos, la autosatisfacción sexual puede proteger a los hombres contra el cáncer de próstata. De hecho, mientras más lo haga, mejor para usted. El estudio encontró que los hombres que se dan placer a si mismos con regularidad, entre los 20 y 50 años de edad, tiene muchas menos posibilidades de desarrollar la enfermedad.

La teoría es que las eyaculaciones regulares previenen la concentración de cancerígenos en la próstata, la glándula responsable del volumen del fluido del semen.

La acumulación de elementos cancerígenos puede producir cáncer de próstata, enfermedad que aumenta, por ejemplo en Gran Bretaña, este mal afecta a 25.000 hombres cada año, probablemente 10.000 de estos no podrán curarse, convirtiendo a este tipo de cáncer en el segundo mas letal.

Mientas mas flujo usted le de a sus conductos, menos daño van a sufrir las células, dijo el científico Graham Giles.

La investigación médica se realizó en Melbourne, Australia, estudió los hábitos sexuales de más de 2.000 hombres, la mitad con cáncer de próstata y la otra mitad sano.

El efecto protector de la masturbación fue más notable en las personas que tenían entre 20 y 29 años de edad, aunque funcinó muy bien en todos los rangos de edades estudiados.

Aquellos que eyacularon más de cinco veces por semana, tenían un tercio menos de probabilidades de desarrollar cáncer de próstata.

Si las conclusiones se confirman, el equipo opina que pronto un buen consejo de salud por parte de los médicos, podría ser animar a los hombres a masturbarse más. Seguro que algunos por allí argumentarán que eso podría ser un consumo inútil de energía.


Fonte: Peor es Nada


Sexta-feira, Maio 13, 2005

Hanseníase surgiu na África, sugere DNA

REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo

Em algum lugar da atual Etiópia, há mais de 5.000 anos, um micróbio aparentemente capenga, com metade de seus genes inutilizados, conseguiu infectar pela primeira vez um ser humano. Não parece um começo muito promissor, mas o invasor microscópico acabaria se tornando o terror de reis e mendigos desde a Antigüidade: é a bactéria da hanseníase (antes conhecida como lepra), cujo avanço ao longo das eras uma equipe internacional de cientistas acaba de desvendar.

O trabalho, publicado na edição de hoje do periódico científico "Science", usou as pouquíssimas diferenças genéticas que existem entre as variantes do micróbio, conhecido como Mycobacterium leprae, para desafiar a teoria de que ele teria surgido na Índia.

Segundo essa tese, os culpados por espalhá-lo pelo mundo seriam os soldados de Alexandre, o Grande (século 4º a.C.), que invadiram a região e depois voltaram para o Oriente Médio e a Europa.

Contudo, segundo a equipe, liderada por Marc Monot e Stewart Cole, do Instituto Pasteur (França), o mais provável é que o berço da moléstia seja mesmo o leste da África, ou talvez o Oriente Médio. Mais tarde, seu avanço teria tomado simultaneamente as rotas ocidental e oriental, chegando às Américas e à África no organismo dos colonizadores europeus.

Mas o dado mais bizarro derivou da dificuldade de achar variantes genéticas entre as M. leprae de 21 países que entraram na análise: é como se todas as bactérias fossem clones, tamanha é a semelhança entre uma linhagem e outra.

"Isso pode ser explicado devido ao seu tempo de geração extremamente longo, 13 dias, o que se reflete numa população total de bactérias muito baixa, limitando a diversidade genética", disse Monot à Folha, por e-mail.

É claro que 13 dias parece uma taxa reprodutiva de fazer inveja a qualquer coelho, mas em termos bacterianos é passo de tartaruga --e não abre muito espaço para as numerosas mutações que caracterizam as demais bactérias.

De quebra, o genoma da M. leprae é literalmente manco: nada menos que 50% de seus genes viraram "pseudogenes" --pedaços de DNA que até parecem servir para alguma coisa, mas não são mais traduzidos em proteínas úteis para a bactéria.

"Realmente, é um paradoxo que ele tenha conseguido se espalhar tanto", diz o médico Marcos Virmond, do Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru (SP). "É como uma máquina muito simples: é mais difícil você perturbar o funcionamento dela do que o de uma mais complexa, porque ela tem poucas peças que podem ser mexidas. Por ser muito primitiva, ela é muito robusta [resistente a erros]", diz.

O pesquisador também assina o estudo e forneceu aos colegas franceses amostras brasileiras da bactéria. Segundo ele, tudo indica que esse processo evolutivo minimalista tenha tornado a M. leprae um micróbio completamente adaptado ao organismo humano --tanto que é difícil cultivá-la em laboratório ou em animais. O único outro mamífero que consegue abrigá-la é o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus).

Depois de quebrar a cabeça atrás de variações, os pesquisadores acharam alguns SNPs (pronuncia-se "snips"; a sigla quer dizer "polimorfismos de nucleotídeos únicos" em inglês). São trocas de apenas uma "letra" do alfabeto químico do DNA (formado pelas letras A, T, C e G).

Com base nessas diferenças minúsculas, eles classificaram o M. leprae em quatro tipos. "Esse pequeno número de permutações permite uma classificação desses tipos por mutação sucessiva", explica Monot.

Olhando para a troca de letras, dá para estimar qual transformação ocorreu primeiro e quais se seguiram a ela. Com base nesse critério, o tipo 2 é considerado o mais provável ancestral dos outros. No Brasil, predomina o 3 (europeu) e o 4 (provavelmente oriundo dos escravos da África Ocidental).

O momento em que ocorreu a primeira infecção ainda não pode ser estimado com exatidão: algo entre 5.000 e 50 mil anos atrás, dizem os pesquisadores.


Quarta-feira, Maio 11, 2005

Justiça contra revista íntima

Embora ainda seja uma das formas mais utilizadas pelas empresas como medida de segurança, a revista íntima é uma prática lesiva à integridade e à intimidade do trabalhador ou trabalhadora, alerta a advogada trabalhista Crislaine Simões, da Innocenti Advogados Associados. Desde o advento da lei 9.799/99, que inseriu modificações na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), a prática é considerada ilegal, afirma Crislaine.

"Sob a ótica legal, não haveria possibilidade de revista, salvo em alguns casos "sui generis", desde que haja previsão normativa em Acordo ou Convenção Coletiva negociado entre a empresa e o sindicato de classe do trabalhador. Mesmo assim, já há casos de revistas previstas na convenção coletiva que tiveram sua permissividade afastada pelo juiz", explica a advogada.

Crislaine Simões destaca que os casos de revista íntima julgados pelos tribunais envolvem, predominantemente, empresas de vestuário e de medicamentos. "O Tribunal Superior do Trabalho vem considerando o procedimento da revista íntima, adotado geralmente para inibir furtos, uma ofensa à honra, à dignidade e à intimidade do empregado", afirma.

Exemplo recente foi a decisão da Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho que, por unanimidade de votos, condenou uma rede de lojas a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais a uma ex-funcionária que era submetida diariamente a quatro revistas íntimas. A medida tinha por objetivo coibir eventuais furtos de mercadorias. A moça exerceu durante cinco anos as funções de balconista e de auxiliar em uma loja da rede em Santo André (SP).

Na primeira revista, realizada no início da jornada de trabalho, a empregada era obrigada a mostrar a cor e o tipo de sua calcinha e de seu sutiã. Nas outras revistas, realizadas às saídas para o almoço, para o lanche e ao fim do expediente, além de verificar se alguma mercadoria estava sendo levada em bolsa, sacola ou presa ao corpo, a chefe da seção também conferia se a roupa íntima usada pela empregada era a mesma com a qual chegara para trabalhar.

A advogada defende que este procedimento deve se constituir no último recurso de segurança utilizado pelo empregador. "A condenação da Quarta Turma do TST significa uma evolução, não apenas do direito em si, mas também do cidadão que não aceita humilhação e desrespeito com o seu corpo e sua vida privada por parte do empregador. Além do constrangimento moral e social, há um dano psicológico. A prática é lesiva e existem inúmeras formas, com ajuda tecnológica, de observar e controlar os estoques e os estornos de mercadorias¿, afirma.

A advogada alerta que os recursos tecnológicos devem ser utilizados, mas também com certa propriedade, pois o uso indiscriminado de câmaras filmadoras em banheiros ou vestuários, por exemplo, podem gerar indenização por danos morais.


Domingo, Maio 08, 2005

Saiba como se prevenir de doenças cardíacas

As doenças cardiovasculares matam cerca de 16,7 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo. O infarto é responsável por 7,2 milhões das mortes e o derrame cerebral, por 5,5 milhões. Para evitar problemas cardíacos, os médicos são unânimes em apontar três medidas: manter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos e não fumar.
"Essas três providências devem ser adotadas simultaneamente", recomenda o cardiologista Luis Henrique Gowdak, do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas de São Paulo. Quem já tem algum fator de risco, como hipertensão arterial, diabetes ou colesterol em excesso, precisa de cuidados especiais.
Mas o ideal é combater o surgimento dos fatores de risco. Na alimentação, isso inclui evitar o fumo, o consumo exagerado de sal, de alimentos gordurosos e de doces industrializados, entre outros.
Esses cuidados devem começar ainda na infância. "É preciso incutir na criança os hábitos saudáveis. Quem aprende a consumir salgadinhos, doces e refrigerantes em excesso tem muito mais dificuldade para mudar os hábitos alimentares mais tarde", alerta a nutricionista Adriana Ávila, também do Incor.
Além de conter substâncias nocivas, os alimentos ricos em gordura engordam, e as pessoas obesas ficam mais sujeitas a problemas cardíacos.
Os hábitos saudáveis podem até amenizar a influência do fator genético. "A interferência genética é muito menor quando a pessoa mantém uma dieta saudável", diz o cardiologista Gowdak.
"A hipertensão, por exemplo, não causa sintomas, e isso dificulta o tratamento. O primeiro sintoma pode ser um derrame ou infarto fatais."
"Outro fator importante é o estresse", alerta o cardiologista Ricardo Pavanello, do Hospital do Coração. "Preocupações com o trabalho, com o desemprego, com a falta de dinheiro aumentam a incidência das doenças do coração", alerta.

Texto de Fábio Grellet, do jornal
Agora-SP edição de 8.05.2005


Domingo, Maio 01, 2005

Até crianças já sofrem redução de estômago

O crescente aumento de casos de obesidade infantil no país está criando um cenário preocupante: crianças na fase de crescimento --com até 11 anos-- estão sendo submetidas a cirurgias de redução de estômago para perder peso.

Dois cirurgiões gástricos paulistas dizem ter feito 120 cirurgias bariátricas em crianças e jovens de 11 a 17 anos, a maioria nos últimos dois anos. Não há estatísticas oficiais sobre essa cirurgia na infância nem estudos sobre a segurança da técnica nesse público.

Para pediatras e endocrinologistas ouvidos pela Folha, a cirurgia é "temerária" antes do fim da fase de crescimento --em geral, a partir dos 14 anos nas meninas, e dos 15 anos nos meninos-- porque pode afetar a formação óssea.

Pesquisa da LatinPanel apontou que 35% dos jovens entre 7 e 12 anos estão acima do peso no Brasil. Foram ouvidas 25 mil pessoas. Em São Paulo, o Centro de Adolescência da Unifesp registrou, só em 2004, 8.000 crianças, de 10 a 15 anos, com obesidade infantil --23% do total dessa faixa etária.

Um dos perigos apontados pelos especialistas é o de a cirurgia afetar o processo de crescimento da criança, em razão da deficiência de vitaminas e minerais que pode ser gerada. Também pode haver danos psicológicos.

"Não se imagina isso em uma criança. Por isso nem é discutido entre os pediatras. Dos 16 anos em diante, ainda é uma fase nebulosa. Só uma análise multidisciplinar vai dizer se a cirurgia é realmente a melhor solução", diz a pediatra Angela Spinola de Castro, professora da Unifesp (Universidade Federal de SP) e membro do departamento de endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Para o cirurgião Arthur Garrido Júnior, presidente da Federação Internacional de Cirurgias de Obesidade e um dos primeiros a fazer esse tipo de operação no Brasil, não há nada que contra-indique as cirurgias de redução gástricas no público infanto-juvenil. "Mesmo em fase de crescimento, a cirurgia não apresenta maiores riscos quando feita dentro dos critérios e das indicações. O risco maior é a criança continuar obesa e com outras doenças associadas." Garrido afirma que só opera crianças a partir dos 14 anos.

O cirurgião Ricardo Cohen, membro da SBCL (Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica), diz que já operou um adolescente de 11 anos e outro de 12. "Essas crianças estavam doentes e precisavam ser tratadas", diz.

Ele acrescenta que a indicação de cirurgia em crianças com menos de 17 anos só é feita após ao menos um ano e meio de tentativas clínicas de emagrecimento --como reeducação alimentar e atividades físicas-- sem sucesso.

"Acho muito difícil ter se tentado tudo em uma criança na faixa etária de 11 a 14 anos. Esse 'tudo' pode ter sido tudo errado", diz a médica Valéria Guimarães, conselheira da Sociedade Internacional de Endocrinologia.

Newton Tokio Kawahara, cirurgião e sócio-fundador da SBCL, diz que as cirurgias em adolescentes são indicadas nos casos de IMC (índice de massa corpórea) maior que 40 e que tenham outro problema de saúde associado, como diabetes, colesterol alto e hipertensão. "Estudos americanos mostram que a pessoa com IMC superior a 40 tem a expectativa de qualidade de vida piorada. Há cinco anos a indicação cirúrgica era para pessoas de 18 até 60 anos, mas hoje não há mais limites de idade e sim critérios clínicos."

Nem sempre a obesidade associada a fatores de risco é um passe livre para a cirurgia. É fundamental analisar o grau de maturidade do paciente, a capacidade de mudar o estilo de vida e o comportamento da família, diz Garrido.

"A adolescência é uma fase de transição. Por isso avaliar a condição psicológica da criança é muito importante", diz Kawahara.

O pós-operatório em adolescentes exige acompanhamento psicológico e cuidados com a alimentação. O paciente perde até 40% do peso inicial nos primeiros meses, até chegar ao equilíbrio. O risco de morte é de 0,5%.


Da Folha de SP


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